sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O Espetáculo do Chão Espanhol - parte 1


Tem-se conhecimento de que imagens misteriosamente aparecidas no chão de uma cozinha espanhola começaram lentamente a alterar-se e a deteriorar-se passado algum tempo, atraindo milhares de curiosos e deixando investigadores psíquicos perplexos.

Na manhã do dia 23 de Agosto de 1971, uma dona de casa da aldeia de Belmez de la Moraleda, no Sul de Espanha, entrou na cozinha e deparou-se-lhe, estupefacta, algo semelhante a um rosto, aparentemente pintado durante a noite no chão. Como não se tratava de uma aparição nem de uma alucinação, a dona de casa, uma camponesa simples chamada Maria Gómez Perei¬ra, só pôde deduzir que houvera um fenómeno para-normal em sua casa.

A notícia espalhou-se rapidamente. Não tardou que  todos os habitantes da aldeia ouvissem falar no estranho acontecimento e acorressem em massa à casa da  Rua Rodriguez Acosta para examinar o rosto. Parecia  um retrato de estilo expressionista e as feições como  que emergiam com toda a naturalidade de entre a  amálgama de cores espalhadas no chão de cimento. 

A certa altura, a família Pereira tentou depreciar a  extraordinária ocorrência, que ameaçava arruinar a vida  habitualmente pacata que levavam no seu dia-a-dia, optando por destruir a «pintura» misteriosa. Seis dias depois do aparecimento do rosto, Miguel, filho dos Pereira, arrancou o cimento do chão da cozinha e colocou nova camada.

Durante uma semana nada aconteceu, porém, a 8 de Setembro, Maria Pereira entrou na cozinha e voltou a deparar-se-lhe algo que fazia lembrar, estranhamente, um rosto humano, que começara a aparecer no cimento do chão, no mesmo sítio que o anterior. 

Dessa vez o contorno de um rosto masculino era ainda mais nítido do que antes. A partir daí tornou-se impossível conter as multidões de espectadores curiosos. Não havia dia em que não se formassem filas de pessoas em frente da casa, ansiosas por ver o «rosto do outro mundo». A imagem permaneceu no chão durante várias semanas e, embora não desaparecesse, as suas feições começaram a mudar lentamente, como se a cara estivesse a envelhecer ou a sofrer algum outro processo degenerativo. 

O presidente da Câmara de Belmez, reconhecendo a importância dos rostos, achou que pelo menos o segundo não devia ser destruído, mas sim cuidadosamente preservado, como se faria com uma obra de arte valiosa. A 2 de Novembro de 1971, uma multidão enorme viu recortar e retirar o rosto do chão, depois ser-lhe montado um vidro de protecção e, por fim, pendurarem-no na parede ao lado da lareira.

Nessa altura já a história do segundo rosto de Belmez passara muito para além dos muros da aldeia e a imprensa local publicara fotografias do mesmo. O pavimento da cozinha foi então levantado, para se ver se havia algo enterrado por baixo que pudesse explicar o aparecimento dos rostos. As escavações puseram a descoberto, a cerca de dois metros e meio de profundidade, uma série de ossos humanos. 

Esta descoberta satisfez os espíritas interessados nas imagens de Belmez, pois crêem que um espírito inquieto pode assombrar a casa onde o seu corpo está enterrado ou desencadear fenómenos poltergeist no local. Entretanto, a descoberta dos ossos não surpreendeu minimamente os habitantes de Belmez, porque era sobejamente sabido que a maioria das casas da Rua Rodriguez Acosta tinham sido construídas sobre o terreno de um antigo cemitério.

Retirado de "Contra toda a Lógica"
Orbis Publishing Limited
Círculo de Leitores
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