segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O Espetáculo do Chão Espanhol - parte 2


O rosto que fora colocado por trás de vidro foi então examinado por um perito em arte, o Prof. Camón Aznar, que manifestou surpresa perante a subtileza com que a «pintura» fora executada, descrevendo-a como o retrato de um homem sobressaltado ou atónito, de lábios entreabertos. No entanto, durante as semanas que se seguiram as feições foram-se alterando e a expressão mudou, apresentando um certo ar de ironia.

Duas semanas depois de o chão da cozinha ter sido escavado e refeito, apareceu um terceiro rosto muito perto do sítio onde os dois primeiros haviam sido descobertos. Duas semanas mais tarde, apareceu um quarto, apresentando o primeiro, nitidamente, feições femininas. 

O Prof. Aznar, depois de examinar atentamente estes dois últimos rostos, opinou que eram exemplos de autêntico estilo expressionista. Oútros observadores, tais como o pintor Fernando Caldéron e o parapsicólogo Germán de Argumosa, consideraram tratar-se de obras de arte, produzidas paranormalmente.

O que é ainda mais estranho é que, pouco tempo depois de a quarta face aparecer, começaram a surgir rostos mais pequenos. Maria Pereira contou nove, enquanto o Prof. Argumosa, que assumira o estudo do caso entusiasticamente e se tornara seu investigador principal, chegou a registar dezoito.

Numa conferência internacional de parapsicologia realizada em Londres em 1977, Argumosa declarou que, no seu entender, o aparecimento dos rostos poderia resultar de algum tipo de actividade poltergeist produzida por espíritos perturbados. Embora as suas ideias não tenham sido formuladas com muita clareza, admitiu: «Fiquei estupefacto ao testemunhar a formação de algumas das faces a partir dos primeiros traços grosseiros, até se transformarem em imagens meticulosamente desenhadas.»

A 9 de Abril de 1972, Argumosa assistira à formação de um rosto durante um longo período de tempo. Outras das testemunhas presentes foram os jornalistas Rafael Alcala, do jornal Jaén, e Pedro Sagrario, do Pairia. «Custava a acreditar», escreveu Argumosa mais tarde, «como o rosto ia assumindo lentamente contornos diante dos nossos olhos estupefactos... 

Não posso deixar de admitir que o meu coração batia mais depressa do que o normal.» Pedro Sagrario também descreveu o que vira: «As linhas foram aparecendo a pouco e pouco, aparentemente desconexas, na parte do piso coberto de tijolos, acabando por se juntar e compor a "pintura" nítida e atractiva de um rosto. Este rosto foi fotografado várias vezes, mas, estranhamente, ao fim do dia desaparecera por completo.»

A certa altura, Argumosa convidou um parapsicólogo seu colega, o Prof. Hans Bender, do Freiburg Institute, na Alemanha, para o ajudar nas investigações. O especialista chegou a Belmez em Maio de 1972 e deparou-se-lhe uma situação caótica. Muita gente, incluindo vários sacerdotes, pintores, parapsicólogos e jornalistas, tinham testemunhado o fenómeno e cada um tinha uma teoria diferente para explicar a sua causa.

Retirado de "Contra toda a Lógica"
Orbis Publishing Limited
Círculo de Leitores

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