terça-feira, 5 de abril de 2016

Sangue e Lágrimas - parte 1


Poderá uma estatueta de Cristo em gesso  verter sangue de verdade ou uma imagem de  Nossa Senhora chorar? Estes fenómenos têm  sido registados várias vezes, continuando a  inspirar — e também a espantar — muitas  pessoas nos tempos que correm.

Certo dia, corria o mês de Abril de 1975, pouco depois da Páscoa, Anne Poore, de Boothwyn, na Pensilvânia, EUA, estava a rezar por aqueles que se tinham afastado da Igreja. Encontrava-se ajoelhada em frente de uma estátua de Jesus em gesso com cerca de sessenta e seis centímetros de altura que lhe fora oferecida por uma amiga no ano anterior. «De repente ergui os olhos para a estátua», relatou mais tarde aos jornalistas, «e o meu coração parou de bater. Nas chagas abertas no gesso da palma das mãos tinham aparecido duas gotas de sangue vivo. 

Fiquei aterrorizada. Não tinha dúvida de que era sangue de verdade. A partir daí já vi escorrer sangue da estatueta muitas vezes.» Hoje em dia está na moda não acreditar em semelhantes coisas ou, antes, preferir pensar que tais ocorrências não acontecem. A mente fechada ou temerosa refugia-se, muitas vezes, por trás de uma racionalidade exacerbada. Para estes cépticos inabaláveis, as histórias ligadas a objectos de culto religioso vistos a derramar lágrimas ou a verter sangue não passam de indícios da sobrevivência deplorável de crenças primitivas e supersticiosas numa era dominada pela ciência. No entanto, existem .dados que provam que esses fenómenos acontecem ocasionalmente, como as histórias que irão ler a seguir demonstram.

Nos anos 50, o Dr. Piero Casoli, médico italiano, estudou longamente as Nossas Senhoras que choravam. Não havia falta delas, pois, como concluiu, só em Itália tal acontecia, em média, duas por ano. E os registos do Fortean Times britânico mostravam que esse tipo de ocorrência fora detectado ao longo da história moderna, segundo relatos recebidos de todo o mundo. Em 1527, por exemplo, uma estatueta de Cristo, em Roma, chorou copiosamente, o que foi considerado um presságio para a decadência daquela cidade. Em Julho de 1966, um crucifixo pertencente a Alfred Bolton, de Walthamstow, derramou lágrimas pelo menos em trinta ocasiões. Em Dezembro de 1960, de uma estatueta existente na Igreja Ortodoxa de Tarpon Springs, na Florida, escorreram «pequenas lágrimas». Em Janeiro de 1981, uma estatueta da Virgem Maria em Caltanisetta, na Sicília — da qual se dizia ter chorado em 1974 —, começou a sangrar na face direita.

Perante tais ocorrências aparentemente «impossíveis», somos levados a fazer a seguinte pergunta racional: estas histórias não serão apenas «alucinações colectivas»? De facto, existem registos de pessoas reunidas em torno de uma imagem religiosa com fama de chorar ou sangrar antecipadamente entusiasmadas pelos boatos e que, possivelmente, «viram» o milagre assim que a pessoa mais sugestionável gritou: «Olhem, a Virgem está a chorar!»

Raymond Bayless, investigador psíquico americano, foi uma das pessoas a viver precisamente uma dessas situações. O fenómeno teve início na tarde de 16 de Março de 1960, quando uma imagem pintada da Virgem Maria Abençoada começou a verter lágrimas por trás do vidro que a resguardava. O objecto pertencia a Pagora Catsounis, de Nova Iorque, que telefonou de imediato ao seu consultor espiritual, o padre George Papadeas, da Igreja Ortodoxa de S. Paulo, em Hempstead. Este contou: «Quando cheguei, havia uma lágrima a secar sob o olho esquerdo. Depois, pouco antes de as nossas orações terminarem, vi uma outra dentro da mesma vista. Começou com um pequeno glóbulo redondo e húmido a despontar ao canto do olho, antes de deslizar lentamente pela face.» O diminuto fio, fino mas constante, não ficou retido no fundo da moldura, como seria de esperar, dando a impressão de desaparecer antes de poder formar uma pequena poça.


Retirado de "Contra toda a Lógica"
Orbis Publishing Limited
Círculo de Leitores

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