domingo, 14 de agosto de 2016

O Abominável Pé Grande

Grover Krantz declara que o campo que escolheu para pesquisar arruinou sua carreira acadêmica e só serviu para ridicularizá-lo perante os colegas. Krantz, antropólogo da Washington State University, especializou-se no estudo do primata mais indefinível do mundo, o chamado Pé Grande, ou Sasquatch, que, segundo consta, habita as densas florestas da região noroeste do Pacífico.
Histórias de animais gigantescos e peludos, semelhantes aos macacos das montanhas Azuis de Washington e do Oregon, datam do século 19. Antropólogos ortodoxos tendem a rejeitar tais histórias, classificando-as de fantasias folclóricas. Não obstante, Krantz acredita que o Sasquatch pode ser nosso parente mais próximo ainda vivo. Os seres humanos, na verdade, podem ser descendentes diretos do tímido Pé Grande, cujos restos mortais jamais foram encontrados.
O nome do controvertido primata tem origem nas gigantescas pegadas que deixa para trás e que, em alguns casos, chegam a quase 60 centímetros, separadas por intervalos de quase 2 metros. De acordo com testemunhas oculares, o Pé Grande tem cerca de 2,50 metros de altura e pode pesar uns 400 quilos. O corpo é completamente coberto de pêlos marrons, com exceção do rosto chato, das palmas das mãos e das solas dos pés. O rosto é caracterizado pela testa recuada e pela fronte proeminente. As proporções do Sasquatch são mais ou menos semelhantes às do ser humano, exceto pelos braços exageradamente compridos. Para se alimentar, ele parece preferir raízes, frutos e a carne de um roedor qualquer.
O interesse com relação ao Pé Grande foi revivido na primavera de 1987, com a descoberta de quatro novas pegadas e com a publicação da análise de outro grupo de pegadas feita pelos guardas-florestais do U. S. Forest Service, em 1982. O último grupo de pegadas media 50 centímetros.
- Além disso - narrou Krantz -, elas demonstravam evidência de epiderme e rugas nas solas dos pés, juntamente com poros sudoríparos e padrões de desgaste, detalhes anatômicos quase impossíveis de imitar, até mesmo pelos embusteiros mais hábeis.
Estudando as impressões ósseas nos moldes de gesso, Krantz também notou que o calcanhar parecia ter se deslocado mais para a frente do pé do que em qualquer outro primata conhecido, inclusive homens e gorilas.
- Tal mudança evolucionária - continuou o cientista - teria sido necessária para suportar o imenso peso da criatura, outro detalhe que pegadas falsas provavelmente não mostrariam.
O próprio Krantz já deixou de correr riscos com as provas ou com sua reputação. Ele prometeu atirar para matar assim que vir o Pé Grande, acreditando que o valor científico a ser ganho superaria quaisquer reclamações ocasionadas pelo ato.
- A única maneira de convencer alguém é com um espécime verdadeiro - declarou Krantz.
Na impossibilidade de matar um Sasquatch, ele espera usar um helicóptero e um detector infravermelho para tentar localizar os restos de um deles em decomposição.

Charles Berlitz
O livro dos Fenómenos Estranhos
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